Viagem cartográfica: pelos trilhos e desvios

Débora Bertussi

Rossana Staevie Baduy

Emerson Elias Merhy

Laura Camargo Macruz Feuerwerker

 

Desenredar as linhas de um dispositivo, em cada caso, é construir um mapa, cartografar, percorrer terras desconhecidas, é o que ele (Foucault) chama ‘trabalho no terreno’ (DELEUZE, 1996, p.84).

 

Apresentamos neste texto os afetos e as marcas produzidas nas pesquisadoras na produção de trabalhos com a pretensão de produzir conhecimento na vivencia do doutorado na linha de pesquisa Micropolítica do Trabalho e o Cuidado em Saúde/UFRJ.

Foram escritos cartográficos produzidos no percurso, um por Baduy (2010) para conhecer a caixa de ferramentas da equipe gestora e outro, por Bertussi (2010), a produção de coletivos. Estas experiências foram vividas em duas secretarias municipais de saúde, respectivamente. Para nós não foi uma trajetória linear, houve muitas idas e vindas; várias afetações ocorreram, encontros, reencontros, desencontros, recuos, recomeços; enquanto isso, fluxos de energia iam e vinham, percebíamos que havia algo sendo tecido – sempre há – novos atores em cena.

O modo das pesquisas produzidas é o cartográfico na medida em que busca mostrar o que é visível tão somente ao sensível. Nestas pesquisas a processualidade interessou muito mais do que o produto e houve um envolvimento e um acolhimento dos fatos cotidianos, buscando compor formas de compreensão e de visibilidade para os sentidos de produção da vida e do mundo. O problema de pesquisa não era estranho às sensações das pesquisadoras, isto é, pertencia a elas. O problema passou a se apresentar, então, à pesquisa para revelar a mutabilidade do mundo como ação política e vontade ética de inventar mundos para si e para os outros.

Merhy (2004) com o conceito de sujeito militante coloca que os sujeitos que estão na produção do Sistema Único de Saúde (SUS) e que investigam suas próprias práticas na produção de conhecimentos estão tão implicados com a situação, que ao interrogar o sentido das situações em foco, interrogam a si mesmos e a sua própria significação enquanto sujeitos de todos estes processos, ou seja, os sujeitos que interrogam são ao mesmo tempo os que produzem o fenômeno em análise e, mais ainda, são os que interrogam o sentido do fenômeno partindo do lugar de quem dá sentido ao mesmo, e neste processo criam a própria significação de si e do fenômeno.

Fischer (2000) enfatiza que um pesquisador implicado com sua pesquisa está sempre atento aos ecos que os autores que ele encontra lhe produzem, os assuntos que provocam e as inquietações internas que a prática e/ou a teoria lhe produzem e que ficam reverberando dentro de si. Rolnik, em seu livro Cartografia Sentimental (2007, p.31), fala das intensidades que buscam formar máscaras para sua exteriorização e, então, tomam corpo e formas de expressão. Percebemos nestas andanças que, apesar de conviver há muitos anos, intensamente, em unidades de saúde, em espaços de gestão municipal, estadual e federal, a máscara da sabida nos havia possibilitado conhecer algumas perspectivas do viver no  mundo da produção do cuidado em saúde, mas muito havia para viver.

Compartilhamos experiências e itinerários com um grupo de trabalhadores das Secretarias de Saúde em busca do inusitado, da novidade, construindo novas relações e afetos. Foi, como diz Espinosa (Deleuze, 2002), um encontro com corpos cuja natureza se compõe com a minha, corpos que me afetaram pela alegria, encontro que adicionou desejo e ampliou a potência de agir. O propósito não foi definir a dinâmica das Secretarias de Saúde, ou melhor, dos vários corpos presentes na gestão desta organização pela forma, nem por seus órgãos e suas funções, nem por uma substância ou sujeito, mas, sim, pelos modos, modos de afetar e ser afetado, do corpo e do pensamento.

A intenção foi olhar para o campo da gestão de uma organização de saúde, considerando-o como um processo que possui um movimento e uma dinâmica próprios, onde estão em ação atores que se aliam e confrontam. Atores que são muitos em si mesmos, que mudam de lugar, que se expressam em diferentes planos conforme afetam e são afetados. Tratou-se de uma busca para expressar as diferenças, disputas, conflitos e consensos que foram sendo produzidos e produzindo novos protagonistas, um processo de descoberta e de produção da singularidade e do(s) sentido(s) presente(s) em seu cotidiano.

Entender, usado no sentido que Rolnik (2007, p.12) escreveu em seu livro Cartografia Sentimental, “não tem nada a ver com explicar e muito menos com revelar. O que há em cima, embaixo e por todos os lados são intensidades buscando expressão”. O desejo foi o de cartografar, mergulhar na geografia dos afetos e, ao mesmo tempo, inventar pontes para fazer a travessia: pontes de linguagem para expressão das intensidades.

Foucault alerta que não devemos nos preocupar em interpretar, mas sim em experimentar. Deleuze diz que não há nenhuma questão de interpretação: “… os conceitos são exatamente como sons, cores ou imagens, são intensidades que convêm a você ou não, que passam ou não passam. Não há nada a compreender, nada a interpretar” Para ele não há nada em cima – céus da transcendência -, nem embaixo – brumas da essência. (DELEUZE e PARNET, 1998 p11-12)..

Interessamo-nos por estudar a construção da gestão municipal, em sua micropolítica, porque achamos necessário que estes movimentos experimentados na construção do SUS sejam investigados, debatidos e publicizados. Sobretudo por haver escassos meios para o compartilhamento de experiências entre militantes, trabalhadores de saúde e gestores do SUS, que sabem haver movimentos interessantes acontecendo em alguns lugares, mas inacessíveis, porque estas vivências – exitosas ou não – não têm sido suficientemente registradas e divulgadas. Sentimo-nos em sintonia com esse esforço de ampliação da discussão, pois não pretendemos escrever sobre os êxitos destas vivências, mas, sim, colocar em debate o modo possível de fazer a partir de conhecimentos existentes/disponíveis e do contexto/cenário local.

Partimos da análise micropolítica do cotidiano, interrogando os diversos sentidos cristalizados na instituição, criticando o que está posto como verdade e instigando os atores sociais a refletirem sobre os efeitos das práticas coletivas que (re)produzem, evidenciando as relações de poder, as afecções e as caixas de ferramenta  encontradas no campo de investigação, tentando desmanchar territórios constituídos e convocando à criação de outras territórios instituintes.

Um conceito-ferramenta importante neste percurso foi o de dispositivo, utilizado para identificar ou analisar arranjos capazes de disparar movimentos transformadores ou auto-analíticos nos diferentes lugares e processos da secretaria. Foucault (1992 – vale a pena indicar em qual texto da microfísica na listagem final) aponta dispositivo como um conjunto heterogêneo que engloba discurso, instituições, organizações arquitetônicas, decisões regulamentares, leis, medidas administrativas, enunciados científicos, proposições filosóficas, morais, filantrópicas. Em suma, o dito e o não dito são os elementos do dispositivo. O dispositivo é a rede que se pode estabelecer entre estes elementos.

Para este autor, o dispositivo pressupõe a existência de um tipo de jogo de poder, de caráter estratégico que modifica as posições e funções entre estes elementos heterogêneos apontados. O dispositivo está sempre inscrito em um jogo de poder, estando sempre, no entanto, ligado a uma ou a configurações de saber que dele nascem, mas que igualmente o condicionam. É isto, o dispositivo, estratégias de relações de forças sustentando tipos de saber e sendo sustentadas por eles. Para Foucault, segundo Deleuze (2005), o poder é operatório, é uma relação, relação de poder, conjunto das relações de forças que passam tanto pelas forças dominadas como pelas forças dominantes, e que estas relações estão em todos os lugares onde existem singularidades, diferenças, ainda que minúsculas relações de força.

O dispositivo opera no espaço da micropolítica, enquanto espaço privilegiado para mudança das práticas de gestão e de atenção à saúde, possibilitando a apropriação do conhecimento, porque ele é produzido a partir da realidade cotidiana no trabalho e, portanto, os problemas ou necessidades que interferem na qualidade da atenção à saúde ao usuário são problemáticas para reflexão, debates e reajustes nos pactos que orientam a ação dos trabalhadores, formadores, gestores e na participação social (FEUERWERKER, 2005).

Consideramos que um processo de investigação é sempre interessado, porque se inicia a partir de certas dúvidas e inquietações que levam a problematizações, que, por sua vez, apontam para necessidade de estudar o objeto em questão. Desse modo, como o pesquisador não é neutro em suas escolhas, faz recortes de partes da realidade a ser investigada a partir de suas implicações. E por isso a poesia de Leminski tem todo sentido neste momento:

“Não fosse isso e era menos. Não fosse tanto e era quase”. Paulo Leminski(1980)

VIVENCIANDO O CAMPO DE PESQUISA

Começamos a vivenciar o campo de pesquisa, múltiplo, disperso, tenso e elástico, tentando configurar um objeto com suas várias concretudes e intensidades. Adentrando mais e mais, fomos descobrindo singularidades, vivendo processos de subjetivação e descobrindo significados e, cada vez mais, pensando quais os sentidos disso tudo, tantas vidas, tantas dores, alegrias, bons encontros, paixões alegres e tristes. Assim, foi-se produzindo o momento da pesquisa, o momento da produção teórica e, sobretudo, a produção do objeto e do pesquisador no momento de intervenção, já que sempre se está implicado e, neste caso, explicitamente, colaborando como assessora e como gestora na construção do processo analisado.  Desta forma, o pesquisador e o campo da pesquisa foram se produzindo ao mesmo tempo.

Priorizar movimentos e processos, traçar linhas, dar vazão às intensidades, a cartografia veio então nos ajudar no processo de investigação, na medida em que não pretendíamos revelar algo que estava nos bastidores, mas acompanhar linhas, intensidades que se atualizavam, vivenciar linhas de fuga, marcar pontos de ruptura, produção de mapas em campos de forças: neste caso, o campo de forças da gestão municipal da saúde. A observação se deu na perspectiva da implicação: como um cartógrafo que vai sendo afetado pelas intensidades presentes no campo e, ao mesmo tempo, afetando e produzindo intensidades, seguindo ritmos, acompanhando processos, sem se submeter ao domínio, mas num movimento também de produção, numa composição e decomposição de ritmos, linhas e velocidades.

A observação do cotidiano da equipe gestora foi feita com o olhar interessado para o trabalho vivo em ato, para as práticas de gestão enquanto espaço de disputa entre os sujeitos que produzem o cuidado em saúde, para a micropolítica do trabalho em saúde.

Guattari e Deleuze utilizam o conceito de rizoma para explicar a noção de complexidade que envolve os fenômenos contemporâneos. Para eles existem diferenças profundas entre rizoma e árvore. A árvore está ligada à ideia de fixação a um ponto, uma ordem, enquanto em rizoma existem “princípios de conexão e de heterogeneidade: qualquer ponto de um rizoma pode ser conectado a qualquer outro.” (GUATTARI e DELEUZE, 1995, p.8).

Partindo-se do pressuposto de que o rizoma não possui posições ou pontos fixos, trabalhamos com os movimentos de discussão na perspectiva de um cartógrafo que, na construção do “mapa”, entrega-se ao processo experimental (ligado no real), tentando conectar-se com as múltiplas dimensões e tentando perceber as constantes modificações da “paisagem”. Assim fomos construindo sentidos, acompanhamos as linhas que se formaram e desmancharam para entendê-las.

A seguir, apresentamos a experiência na voz de cada um de nós pesquisadores, em dois textos: A pesquisadora na pesquisa da caixa de ferramentas do gestor municipal; e A pesquisadora na pesquisa da produção de coletivos na gestão municipal. Estes textos estão acompanhados de muitas vozes, mais especialmente de nossos orientadores, Laura Feuerwerker e Emerson Merhy que fizeram conosco o exercício da alteridade, juntamente com o coletivo da linha de pesquisa Micropolítica do Trabalho e o Cuidado em Saúde. Nos escritos abaixo, continuamos a apresentar, a construção de nossos (des)caminhos como pesquisadoras, do objeto da pesquisa, a relação com os sujeitos e com os conceitos utilizados, só que agora falando das duas experiências separadamente. Não pretendemos apresentar toda a produção, abordamos os trilhos e os desvios.

A Pesquisadora na Pesquisa da Caixa de Ferramentas do Gestor Municipal

Pesquisar a caixa de ferramentas do gestor da secretaria municipal de saúde, esta foi a minha escolha. Para isso, obtive a concordância da secretária e o consentimento dos participantes e fui me inserindo no coletivo gestor.

No começo, ainda estava me colocando de fora – resolvi construir oficinas para discutir com alguns trabalhadores o objeto da minha pesquisa – fiz a primeira oficina que pouco me trouxe, era artificial, era a representação do vivido e ainda “a frio”. Parei, mas resisti, a orientadora insistiu que eu repensasse os caminhos, desterritorializada, me perdi. Mas, continuei conversando com trabalhadores da secretaria, pedindo licença para entrar, esperando um momento para entrar, conversei novamente com a secretária de saúde, que também trouxe suas demandas para mim e assim fui me colocando no meio do movimento de tecer as teias, desmanchar teias, construir e reconstruir outros fios. Foi assim, bati na porta, pedi licença, esperei e acabei convidada a participar do movimento da gestão municipal.

A partir do momento em que consegui mergulhar nas intensidades em produção na gestão da Secretaria Municipal de Saúde e que pude perceber linguagens, fui esboçando rabiscos, desenhos, ao mesmo tempo em que ocorriam movimentos de transformação da paisagem. Estando implicada na produção de caixa de ferramentas, aproximei-me das diversas políticas, linhas e fluxos presentes naquela organização. Aos poucos fui me deixando invadir por novos fluxos, em diferentes lugares e tempos que evidenciavam o processo de produção do trabalho da gestão.

Partilhei aquele processo com muitos trabalhadores: desde aqueles envolvidos mais diretamente com a gestão, ocupando cargos formais do organograma existente na organização, como com aqueles trabalhadores que fazem a gestão do cotidiano nas unidades de saúde. O critério de inclusão era o convite deles, a demanda produzida no processo, como também a minha curiosidade que ia sendo produzida na pesquisa para dar conta dos processos em que fui me envolvendo. E fui assim me produzindo como pesquisadora. Alguns conceitos operaram na produção do sentido – o de implicação foi um deles; pude me colocar, estar dentro do processo, descobrir que é possível haver vida na pesquisa. A pesquisa não era mais cinza, como sempre tinha sido, cheia de regras, onde não era possível afetar-se, sentir, viver.

A desterritorialização, claro, veio nesse processo. A experiência foi dolorosa em alguns momentos, mas a vida pulsou, nos encontros, nas palavras, ocorreram muitas afetações e a produção do sentido de pesquisar. Os encontros foram o modo de operar do coletivo que fui compondo na pesquisa, bons encontros, maus encontros, encontros singulares, encontros-acontecimentos…, em diversos lugares, em corredores, salas de reuniões, salas de cafezinho, em caminhadas, em reuniões, em unidades de saúde, em eventos…

Encontro, produção de encontro no trabalho, trabalho vivo em ato, quantas possibilidades de olhar o trabalho em saúde para além da aridez das estatísticas, da produtividade e dos relatórios. Sujeito, eu só sou no outro, só em relação com o outro, ao olhar a vida na produção, na sua potência.

Estar em diversos lugares, mas principalmente estar na linha de pesquisa “Micropolítica do trabalho e o cuidado em saúde” foi produzindo territórios no campo da pesquisa e na própria pesquisadora. Sueli Rolnik foi uma autora que trouxe novos conceitos e modos de produzir conhecimento com eles, trouxe outros sentidos para o meu olho-retina e passei a perceber o corpo vibrátil. Este, o corpo vibrátil, para Rolnik (2007, p.31), é aquele que é tocado pelo invisível, “sensível ao encontro dos corpos e suas reações: atração e repulsa, afetos, […]” intensidades.  Assim foram sendo construídos novos territórios e a pesquisadora foi aparecendo, aprendendo a olhar e a escrever.

Participar das reuniões semanais de educação permanente dos assessores técnicos, trabalhadores da equipe gestora formal, foi como estar num mar agitado, muitos fluxos, muitas intensidades. Nos encontros eram discutidas as experiências vividas durante a semana e a articulação do trabalho deles com as demais diretorias da Secretaria Municipal de Saúde. A produção da pesquisa já havia sido discutida pelo grupo, anteriormente, e quando cheguei já me esperavam. Contei a eles, então, sobre a pesquisa e pedi autorização para que eu pudesse anotar as falas de todos, já que eu as usaria como material de campo para a minha pesquisa. Para registro do que vi, ouvi e senti naquelas reuniões, utilizei o diário de campo. Esses encontros semanais foram um analisador potente do processo de gestão em curso.

Muitas vezes ainda tinha o meu olhar armado pelos referenciais teóricos, e ia analisando as falas. Vivi o dilema: falar ou não? Fluxo que corta? Que cria linha de fuga? Onde estou? Como fazer isso que pretendo, como dar linguagem às intensidades produzidas, ou em produção, ou cortadas? E, aos poucos, fui me perdendo no meio deles e os limites entre a pesquisadora e a assessora não existiam mais.

As experiências foram vividas pelo meio, pelas bordas, pelo fora, enfim, de diversos lugares e tempos e absorvendo de formas variadas as intensidades do processo. Foram realizadas conversas do cotidiano, observação, narrativas escritas, diário de campo e análise de documentos produzidos durante o período da pesquisa.

Narrativas como reconstruções de histórias vividas, onde presente, passado e futuro estão articulados, onde se reconstroem, mas também se acrescentam elementos e se atualizam em acontecimentos (MAIRESSE e FONSECA, 2002). Trata-se, como diz Guattari (2005, p.24), “de uma escolha ética crucial: ou objetiva-se, cientificiza-se a subjetividade, ou, ao contrário, tenta-se apreendê-la em sua dimensão de criatividade processual”.

As conversas do cotidiano foram espaços especiais de interação e de produção de sentidos. Estas conversas e as narrativas contribuíram dando voz aos diversos interlocutores presentes, aos diversos saberes presentes no espaço e tempo da organização de saúde em estudo.

Investigar o cotidiano é colocar em análise uma realidade em construção, móvel, sem começo, meio e fim, mas com várias entradas, tratá-lo como um campo de problematização, proporcionando novas possibilidades de apreensão e de produção do real; ao me colocar no cotidiano da organização de saúde, provoquei o pensamento, pelas afetações, pelos encontros com os inusitados, em uma tensão colocada entre o que já foi atualizado, o que já existe e com o que vai se produzindo.

O cotidiano é o lugar das disputas, espaço de luta e de exercício de poder. Para Merhy (2002, p.160) o cotidiano em saúde é o terreno da produção e da cristalização dos modelos de atenção à saúde, e também da produção de novos arranjos no modo de fabricar saúde, onde se configuram “novos espaços de ação e novos sujeitos coletivos, bases para modificar o sentido das ações de saúde, em direção ao campo das necessidades dos usuários finais”.

O diário de campo foi utilizado para registrar movimentos, observações, devaneios, sentimentos, conversas e percepções, bem como os apontamentos do referencial teórico para dialogar com os achados da pesquisa. Foi o momento de análise das implicações, permitiu reconstruir, por meio das memórias dos afetos, as lembranças do outro, dos lugares percorridos, dos encontros conturbados com muitas vozes, reafirmando as relações de implicação produzidas no momento da pesquisa. Azevedo e Carvalho (2009) realizaram um estudo sobre o uso do diário de campo na pesquisa em autores como René Lourau, Remi Hess, Virgínia Kastrup, Denise Mairesse, que vêm discutindo o diário de campo e seu uso em pesquisas. Apontam seu uso de diversas formas para análise das implicações, um sentido é como ferramenta para dar visibilidade a movimentos no campo de estudo, outro como um puro levantamento e agrupamento de dados observados e a observar, ou o diário íntimo, e outro, o diário da pesquisa. Citam também a possibilidade de no interior de um mesmo diário, haver todos estes tipos de diários, indivisíveis e relacionados.

O diário de campo foi o conjunto dos diversos tipos de diários em um só. Ao vivenciar os processos, em conjunto com demais trabalhadores que compuseram este trabalho, fiz anotações, sobre tudo que vi, ouvi e senti, produzi uma escrita do que acontecia no dia a dia, às vezes fragmentada, outras mais textuais. Muitas folhas de muitos cadernos inteiros foram preenchidas ao longo desse tempo. Fui criando vários sinais para marcar as afecções, dúvidas, coisas que iam provocando o pensamento. Afecções como nos diz Deleuze (2002) em seu livro Espinoza: filosofia prática, todo o corpo vivo tem o poder de ser afetado, e deixar no corpo a presença do outro que o afetou.

Algumas conversas foram gravadas, momentos que percebi ser possível a gravação, que não seria um desconforto para os envolvidos nem os inibiria. Mesmo assim, logo após, escrevia as minhas memórias, onde colocava as implicações em análise. A fala da pesquisadora, que também era gestora, também foi anotada. Este é, em sua maior parte, o momento do presente, onde registrei o que passou pelos meus olhos, ouvidos e pele. Registro e atualização do que passava pelos sentidos, não podia divagar, pois perdia falas, olhares, intensidades presentes. Exercício de atenção dos sentidos. Muitas vezes ao final do período, estava ainda afetada pelas dores, afetos que circularam, tentando dar passagem às intensidades vividas. Começava, então, a produzir outro momento do diário, aquele onde o pensamento provocado, expressava-se novamente no papel e aí se misturava passado, presente e futuro, não havia mais cronologia.

Essa releitura do diário propiciou autorreflexões e auto-avaliações, reconstituição dos momentos vividos em diferentes espaços e tempos com certa duração e densidade, articulação de vivências ocorridas, articulação com escritos de outros, em outros tempos e lugares (HESS, 2006). Espaço de produção, de devir. Estes textos, chamei de cenas, são os diários de campos já revisitados, trazem as vozes dos sujeitos do campo da pesquisa. Certamente a voz da pesquisadora está presente, misturada com a multiplicidade de vozes que produziram essas cenas. Ao final de cada cena foram apresentados, também, textos que são as reflexões sobre o vivido em que reportei outras vozes, a dos autores que busquei para dar passagem às afetações e que produziram outras afetações.

Foi uma produção de narrativas. Mas, eram as narrativas da pesquisadora misturadas a tantas vozes, produto de afecções. Composição de cenas e enunciados que foram produzidos por muitas mãos inclusive a da pesquisadora.

Ao vivenciar o processo da gestão, sendo consumida por ela e consumindo-a, e nos momentos de alteridade proporcionado pelas apresentações realizadas na linha de pesquisa “Micropolítica do trabalho e o cuidado em saúde”, fui percebendo a caixa de ferramentas–corpo vibrátil. Descobrindo a caixa de ferramenta que monta, desmonta, quebra, destrói, constrói suas próprias ferramentas, em constante devir, produzida por e produzindo intercessores com os coletivos em cena. Não era só a caixa de ferramentas do gestor formal que estava em cena, é a caixa de ferramentas daqueles que estão em ação, e em disputa, assim, a caixa de ferramentas está em análise e produção constante. Ao analisar a caixa de ferramentas do outro a minha ferramenta está em cena, em análise e em produção.

Pensei então a gestão como gestão peripatética, aproveitando o termo peripatético com o sentido que Lancetti (2006) utilizou na clínica peripatética, como “conversações e pensamentos que ocorrem durante um passeio, caminhando – peripatetismo – uma ferramenta para entender uma série de experiências clínicas realizadas fora do consultório, em movimento”. A escuta das pessoas em seus lugares próprios, sem descaracterizá-los ou diminuí-los (LANCETTI, 2006, p.19).

Utilizei gestão peripatética como um conceito-ferramenta para dar sentido a conversações e pensamentos que aconteceram nos encontros, nos corredores, nas salas de café, em diversos lugares além das salas de reuniões formais, mas nelas também, potencializando as singularidades, os processos de subjetivação nas multiplicidades das afetações e atualizações, sem imposição vertical, com outra ordenação temporal, não pontual, mas sim constante. A produção da caixa de ferramentas na gestão do e no cotidiano – o não saber – a produção na inutilidade, na compreensão dos problemas que se vive, a solidão, o prazer e a dor deste trabalho.

Fazer o mapa, não o decalque… Um mapa tem múltiplas entradas contrariamente ao decalque que volta sempre “ao mesmo”. Um mapa é uma questão de performance, enquanto que o decalque remete sempre a uma presumida “competência”.

(DELUEZE e GUATTARI, 1995, p.21)

 

A Pesquisadora na Pesquisa da Produção de Coletivos na Gestão Municipal

“não discuto com o destino o que pintar eu assino” Paulo Leminski (1985)

Quando iniciei o doutorado, duas questões me instigavam muito, uma era que o objeto de investigação necessariamente teria que ser algo que eu estivesse implicada e operando no cotidiano, portanto teria que ser a gestão municipal. A segunda questão é que sempre achei fundamental que todos que estivessem na gestão do SUS pudessem e devessem compartilhar o modo de fazer gestão em saúde, analisar os dispositivos disparados e consequentemente escrever estas experiências.

Neste sentido, quando tomei a decisão de iniciar a investigação, escrevi um projeto de pesquisa muito próximo do que já conhecia fundamentalmente pautada pela iniciação na pesquisa que foi a formação do mestrado, na pesquisa qualitativa mais instituída, ou seja, pensei de pronto no estudo de caso, com entrevistas semi-estruturadas, etc. e etc. Na primeira apresentação para o coletivo da linha de pesquisa, quando entramos no debate sobre qual era o objeto e a pergunta da pesquisa percebi que havia a necessidade de pensar melhor sobre qual era o objeto e pergunta, pois os participes do coletivo da linha apontaram claramente que não estava claro e, portanto o caminho para produzir a pesquisa também não.

Assim em movimentos de idas e vindas fui apresentando a proposta de projeto de pesquisa para o coletivo da linha com forte intensidade e insistência na minha desterritorialização provocada pela minha orientadora. Neste caso é importante destacar que o coletivo da linha  produz um forte movimento para colocar o pesquisador em analise e consequentemente em um processo intenso de desterritorialização do lugar instituído de produção do conhecimento.

Neste sentido, esta produção de conhecimento não poderia estar pautada por um “passo a passo” científico. Nesta pesquisa, utilizei a cartografia proposta por Deleuze e Guattari (1995), porque visa acompanhar um processo, deter-se em acontecimentos que se tornam visíveis, ponderá-los, ir além, atrás de novos encontros, pensar sobre eles, sentir as suas afecções e ir caminhando e produzindo pensamento atrás de sentidos para o cartógrafo.

 Não representar um objeto, mas investigar um processo de produção. De saída, a ideia de desenvolver a cartografia se afasta do objetivo de definir um conjunto de regras abstratas para serem aplicadas. Não busquei estabelecer um caminho linear. A construção do trabalho procurou estabelecer algumas pistas para descrever, discutir e, sobretudo, coletivizar a minha experiência.

A escolha pela cartografia teve o intuito de evitar o lugar de pesquisador de fora ou de isolamento do “observador” de seu objeto, nos múltiplos encontros, afetando e sendo afetada. Nesta investigação a cartografia se fez perseguindo a manifestação e buscando captar a expressão dos diferentes coletivos desejantes que operaram na secretaria de saúde.

O que interessa destacar aqui pode ser dividido em dois pontos, o primeiro foi de perceber que existe uma multiplicidade de encontros e o segundo diz respeito aos afetos que se produz no encontro. E como sujeito militante e implicada, justamente falando deste lugar, tenho que declarar que o processo foi desafiador, pois tive a pretensão de cartografar os movimentos, produzir conexão com os acontecimentos em suas múltiplas dimensões, abrir-me para o inusitado. Desviar-me, surpreender-me e desconhecer-me. Explorar devires.

Suely Rolnik e Felix Guattari (2005) sustentam a ideia de que a prática do cartógrafo diz respeito às estratégias de formação do desejo no campo social, potencializando o desejo no seu caráter processual e (re) produtor da sociedade e esse processo de investigação requer abertura do pesquisador para o novo, com disponibilidade para ver, escutar e deixar-se tocar pelos processos originados na investigação, ou seja, deixar-se afetar, como propõe Espinosa (1992)

Nesta investigação a cartografia se fez perseguindo as manifestações e buscando captar a expressão dos diferentes coletivos desejantes que operaram na secretaria de saúde para analisar como atuaram na constituição daquela gestão municipal em saúde. Então, torna-se importante destacar que o encontro com esses coletivos instituídos oportunizaram abrir-me para novas percepções de outros coletivos não dados, mas dando-se, produzindo-se em processo.

A cartografia como um processo de acompanhamento de movimentos em curso, mais do que de um traçado de percursos descritivos/históricos, na proposta de Gilles Deleuze e Félix Guattari se oferece como trilha para acessar aquilo que força a pensar, dando-se ao pesquisador, como possibilidade de acompanhamento daquilo que não se curva à representação. Entendendo que a cartografia convoca um exercício peculiar no pensamento do pesquisador.

A alteridade ocorreu com a orientadora que também era assessora do processo na secretaria de saúde e do coletivo da linha de pesquisa. Então, concordando com Ricardo Moebus (colega de doutorado) que afirma que este coletivo (da linha de pesquisa) opera a micropolítica do trabalho e o cuidado em saúde a partir dos mais autênticos incômodos, presentes no mundo do trabalho em saúde, que se pode produzir saberes para aumentar a potência de produção de cuidado nestes ou noutros cenários. Sendo assim, é preciso colocar na mesa as pulgas que trazemos atrás das orelhas, pois elas serão importantes ferramentas de trabalho, ou afinal, elas é que nos farão trabalhar. Serão aquelas maiores e mais incômodas pulgas que exigirão respostas que realmente precisamos construir.

As estratégias utilizadas nesta investigação foram a observação direta, registro de reuniões, registro em diário de campo, reconstrução de cenários/cenas/fatos por meio de grupos de discussão com atores envolvidos e documentos de fonte secundária. Tudo isso possibilitou a produção de conhecimento sobre a realidade vivida pelos distintos coletivos, estabelecendo novos espaços de liberdade. Por outro lado, não tive a preocupação de coletar dados para depois interpretar, pois o que me interessava era experimentar. Neste sentido, em processo, realizei estudos sobre os conceitos que estávamos utilizando no dialogo com vários autores, utilizei o diário de campo, cartografei os movimentos dos coletivos desejantes instituintes e instituídos que operaram na secretaria de saúde. O diário de campo foi fundamental, pois foi utilizado para registrar movimentos, observações, devaneios, sentimentos, conversas e percepções, bem como os apontamentos do referencial teórico para dialogar com os achados da pesquisa.

A ideia de observar/analisar as discussões está relacionada com a noção de multiplicidades, pois fenômenos, desde sua origem, são multiplicidades que se constituem na própria realidade, não supondo unidade, não entrando em nenhuma totalidade, nem mesmo se remetendo a um sujeito, mas a um plano de produção de sentido sem pretensão de verdade única. As subjetivações, as totalizações, as unificações são, ao contrário, processos que se reproduzem e tentam emudecer as multiplicidades.

As fontes secundárias (análise documental) utilizadas foram os documentos produzidos pelos atores/autores que vivenciaram o processo e divulgaram suas opiniões/produções na organização por meio de relatórios de gestão, e-mails, documentos internos, trabalhos apresentados em eventos, projetos institucionais, boletins epidemiológicos etc. Essa “garimpagem” foi feita na perspectiva de registrar a história, captar os sujeitos, suas afetações e sua formulação, em diferentes momentos do processo.

Como Deleuze aponta “se abrir para a diferença” implica em se “deixar afetar” pelas forças de seu tempo, por sermos permanentemente atravessados pelo outro, uma política indissociável de uma ética de respeito pela vida, pela luta em torno de enfrentamentos dos problemas concretos, onde  as diferenças correm, em série, sem começo nem fim (qualquer lugar é início, em qualquer lugar o trajeto se interrompe) pelos abalos, pelas rupturas, pelas fendas do devir. É possível percorrer estas séries num sentido ou em outro, sem hierarquizar, não importando mais distinguir entre o mais ou o menos verdadeiro, o mais ou o menos sério.

Na concepção espinosiana todas as coisas são constituídas por uma só substância e tomam formas diferentes em seus modos de existência. Compreender requer ser afetado de diversos modos, ser afetado de mais maneiras ou a afetar os outros corpos. Nesse sentido, é numa conduta ética que nos aproximamos da realidade complexa. Conhecer para Espinosa é o caminho para aumentar nossa potência de agir, saber mais sobre nós e estarmos mais ativos e criativos. Então somos um grau de potência, definido por nosso poder de afetar e de ser afetado, e não sabemos o quanto podemos afetar e ser afetados, é sempre uma questão de experimentação (ESPINOSA, 1992).

A força desejante de existir varia de intensidade, como se encontra manifesta nos três afetos fundamentais da ética de Espinosa: a alegria, a tristeza e o desejo. A alegria é o sentimento que temos do aumento de nossa força para existir e agir, a tristeza é o sentimento que temos da diminuição de nossa força para existir e agir e desejo é o sentimento que nos determina a existir e agir de uma certa maneira .

Um conceito-ferramenta importante neste percurso foi o de dispositivo, utilizado para identificar ou analisar arranjos capazes de disparar movimentos transformadores ou auto-analíticos nos diferentes lugares e processos da secretaria.

Este esforço de colocar para conversar as diferentes propostas de apoio experimentadas (experiências fontes) e formuladas (conceitos), foi possível a partir da construção de diferentes “engenhocas” como dispositivos analíticos. Um primeiro plano para analisar essas várias modalidades/possibilidades de apoio foi mobilizado pelo conceito de devir. No nosso caso o devir-apoiador, pois são os devires que se encadeiam ou coexistem em zonas de vizinhança, de indiscernibilidade, de indiferenciação. Devir é jamais imitar, nem fazer como, nem ajustar-se a um modelo, seja ele de justiça ou de verdade. Não há um termo de onde se parte, nem um ao qual se chega ou se deve chegar. Na medida em que alguém se torna, o que ele se torna muda tanto quanto ele próprio.

Um segundo plano veio a partir da ideia de intercessores do Deleuze e Guattari(1992), que coloca que quaisquer encontros fazem com que o pensamento saia de sua imobilidade natural, de seu estupor, pois sem os intercessores não há criação e não há pensamento; os intercessores podem ser pessoas, coisas, plantas, até animais. O conceito de intercessor segue o do verbo interceder, que significa intervir. Neste sentido, o trabalho do apoiador não se configuraria como uma prática puramente técnica, mas sim como uma prática relacional, reproduzindo-se a si num dado contexto o tempo todo e acionando tecnologias em vários campos, inclusive o das tecnologias leve-duras e duras.

Um terceiro plano de constituição/análise diz respeito a como se produzem as relações no organograma – de modo arborescente ou rizomático – pois as mesmas se dão em disputa, e a produção de coletivos. Neste sentido, o arranjo matricial/matriciamento pode ser a expressão do organograma rizomático, entendendo que o rizoma é composto de linhas e pontos, sendo que todas as linhas e pontos se conectam ou podem se conectar, sem obedecer a relações de hierarquia ou subordinação. Para todos os lados e todas as direções, portanto o rizoma tem como princípio o da conexão e caracteriza-se por ser um campo coletivo de forças dispersas, múltiplas e heterogêneas.

O quarto e último plano que atravessa essa produção foi a caixa de ferramentas do apoiador para operar o apoio às equipes de saúde. Como diz Merhy (2002), caixa de ferramentas que funcione com potência de bússola para o pensar num terreno de tensionamentos e desafios, em meio aos quais o “agir em saúde” se afirma como uma experiência radical de (re)invenção da saúde como bem público e potência de luta “a serviço da vida individual e coletiva”. Então, a “caixa de ferramentas” como conceito-força que compõe o plano de consistência para as análises micropolíticas que funciona indagando “o que se passa entre”, nos caminhos que se criam por entre impossibilidades no cotidiano das práticas de saúde.

 

E por fim…

Para não concluir, mas abrir o debate sobre possibilidades de construção do conhecimento trazemos a multiplicidade presente na poesia de Paulo Leminski.

Disfarça, tem gente olhando.Uns olham para o alto,cometas, luas, galáxias.Outros, olham de banda, lunetas, luares, sintaxes. De frente ou de lado, sempre tem gente olhando, olhando ou sendo olhado.

Outros olham para baixo, procurando algum vestígio do tempo que a gente acha, em busca do espaço perdido. Raros olham para dentro, já que dentro não tem nada. Apenas um peso imenso, a alma, esse conto de fada.

 Paulo Leminski (2000)

 Referências Bilbiográficas

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BERTUSSI, Débora Cristina. O apoio matricial rizomático e a produção de coletivos e na gestão municipal em saúde. Rio de Janeiro, 2010. Tese (Doutorado em Clínica Médica)- Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2010.

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Este texto integra o Livro “Caminhos para Análise das Políticas de Saúde”, que está disponível para download na página da Editora Rede Unida. Para acessá-lo, clique aqui.

Para citar o texto ou parte dele, utilize a numeração de páginas da versão impressa, tal como apresentada a seguir:

BERTUSSI, D.; BADUY, R.S.; FEUERWERKER, L. C. M.; MERHY, E. E. Viagem cartográfica: pelos trilhos e desvios.  In MATTOS, R. A.; BAPTISTA, T. W. F. Caminhos para análise das políticas de saúde, 1.ed.– Porto Alegre: Rede UNIDA, 2015. p.461-486.

A versão online disponível neste site pode apresentar pequenas e poucas diferenças em relação à versão atualizada que está no livro publicado pela Editora Rede Unida. Estamos em processo de atualização e breve as versões estarão igualadas.

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